Afinal, o que está acontecendo ?

Já tentaram imaginar, com maior profundidade, o contexto ao qual pertencemos, quando o assunto é a relação entre cães em seres humanos ? Pois é, vai muito além do que conhecemos; comprar um filhote no pet shop, ou, adotar um na feira de doações, alimentar, dar brinquedos, levar para passear, etc …

Seria impossível eu escrever numa única postagem, todos os temas relacionados ao mundo pet, até chegarmos nos causas relacionadas aos desvios de comportamento e maus hábitos dos cães. Se o cão é agressivo, medroso, etc, devemos entender que cada pet é fruto do ambiente no qual vive, além de ser um criatura rica em informações genéticas (dotada de características inatas ou tendências a problemas específicos de ordem comportamental ou fisiológica). Todavia, para que nosso diálogo fique mais claro, entendam que:

  • A relação homem-cão existe há mais 100.000 anos (quando ainda não existiam as cidades, a raça humana era nômade)  – e desde então, não apenas por companhia, mas também, por caça e proteção
  • Cães não pensam como nós. Por favor, não insistam em dizer que SIM; cães são seres descendentes dos Lobos (Canis Lupus) – diz-se que algumas raças são originárias dos Chacais – portanto, pensam em agem baseados em instintos primitivos, podendo serem condicionados a se comportarem do formas específicas conforme o ambiente ou seres próximos. Isso explica, em parte, o porquê há tantos cães com transtornos comportamentais: são afastados de suas rotinas naturais, que lhes é saudável, e são cada vez mais humanizados (forçados a viver à semelhança de seus tutores). Cabe ressaltar que cães têm sentimentos (medo, raiva, ansiedade, etc), apesar de não pensar de modo semelhante a humanos – Ciúmes não constam nesse Rol (explico em outra postagem o porquê)
  • O Brasil, hoje, é o 2º maior mercado pet do mundo (o 1º lugar está com os Americanos), todavia, tem, em média, 30 milhões de animais abandonados nas ruas. Veja só; tudo começa na compra do filhote. Compra-se por que viu o vizinho comprar, ou, porque a raça foi popularizada por determinada novela da TV, ou então, porque a criança pediu. A família não tem conhecimento de como cuidar e educar um filhote, deixa-o mal acostumado, irrita-se com as sujeiras, latidos e excessivos, móveis roídos, etc, ocorrendo em seguida, o abandono ou a doação compulsória.  Tal fato, torna muito relevante a observação abaixo: os “players” do contexto pet no Brasil (ou seja, os personagens).
  • Tutores: Em outras palavras, os donos. Do mais carinhoso, ao ausente; Como disse, o cão é fruto de seu ambiente. Há quem diga que o Cão é a cara do dono. Na prática, a maioria das causas comportamentais se originam nos tutores ( O tutor superprotetor que desenvolve um pet inseguro e imaturo; o tutor ausente que desenvolve um pet agressivo e ansioso, etc …) – Lembrando: há também tutores muito responsáveis que são exemplares na educação de seus pets.
  • Adestradores: Enfim, o segmento do qual faço parte. Também conhecido como Cachorreiro – o dia 5 de Novembro é o dia do Adestrador ! – A Profissão de Adestrador, no Brasil não é regulamentada, e, não há formação específica para tal. Contudo, é uma profissão que requer estudo e treinamento contínuo – afinal, temos a grande responsabilidade de reabilitar os cães e transmitir segurança e confiança aos seus donos. Nesse grupo, encontra-se do mais experiente e técnico ao inexperiente iniciante – independente de qual seja, o fator mais importante é a responsabilidade – um profissional que trate-bem e com respeito seu aluno de quatro patas !
  • Profissionais do Mercado Pet em Geral: encontramos os donos de Pet Shop, Dog Walkers, Veterinários, Criadores de Raças, etc. ( a classificação das profissiões acima em “Geral” visa apenas facilitar a divisão no assunto desta postagem; não estou desconsiderando ou segregando nenhuma classe aqui indicada- até porque, é muito comum haver parcerias entre adestradores e outros profissionais do mercado pet.) O motivo de tal citação é a parcela de responsabilidade com relação aos abandonos causados por Criadores inconsequentes (Fabricam filhotes em série para manter o faturamento) – ou, os Pet Shops que vendem filhotes nos mesmos moldes acima.
  • Ongs Protetoras de Animais: Na minha visão, como tudo o que foi escrito até agora, podem ser muito boas ou extremamente problemáticas. Veja bem: abraçar a causa animal traz uma certa visibilidade a quem se habilita. Portanto, há ONGS responsáveis que de fato se dedicam a causa de bem quererem os animais e realizam ótimos trabalhos de acolhimento, tratamento e doação de cães e gatos abandonados, e por outro lado, há as ONGS que visam somente o aspecto político: ou seja, nada ou pouco fazem pelos animais, são excelentes em denunciar ou falsamente acusar de maus tratos adestradores mais rigorosos nos treinamentos e não podem ver um dono de canil ou criador que logo querem inquirí-lo sobre seus métodos de modo a “mostrarem serviço” (fotos e gravações não autorizadas postadas nas redes sociais são o canal de comunicação mais utilizado nas ações dessa banda problemática das ONGS).

Resumindo: as coisas são o que são por que são fruto de um processo que inclui os “players” acima: Tudo começa no Criador, dono de Canil ou dono de Pet Shop que efetua a venda do filhote; segue na mão do proprietário, ou, tutor, que se mal sucedido na criação do filhote, ou o abandona/doa ou procura um Adestrador para reabilitar o Pet. Daí, o citado profissional pode ser decisivo neste processo: ou bem educa o animal e treina o dono (ensina-o sobre a Cultura Canina) ou age de modo irresponsável, piorando o Cão, condenando o ao posterior abandono ou doação. Neste caso, entra em Cena a ONG, que pode consertar tudo o que começou errado na venda do filhote ,ou, tornar-se sucesso nas redes sociais postando bobagens, obtendo curtidas e compartilhamentos as custas de fatos mal interpretados, ou, que se verídicos, poderiam e deveriam serem tratados nas vias jurídicas apropriadas para denunciar abusos e maus tratos.

O que quero dizer é que: O QUE ESTÁ ACONTECENDO é que O CÃO não tem culpa de nada. Ele é fruto de um país que muito consome no mercado pet, mas, pouco tem em riqueza de CULTURA CANINA. O que me motiva como ADESTRADOR é trabalhar com Criadores, Veterinários, ONGS responsáveis e, sobretudo, TUTORES dispostos a aprender a bem LIDERAREM seus cães; com isso, num futuro não distante, termos famílias equilibradas com seus Dogs – Seres humanos com seus hábitos, cães compartilhando o mesmo ambiente tendo seus instintos e diferenças respeitados a exemplo do que começou a 100.000 anos atrás: uma parceria que aconteceu para somar e contribuir ao desenvolvimento social !
LIDERE A MATILHA !

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